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Mensagempor Ana Dias » 03 dez 2008, 12:40

Olá boa tarde
Sou o mais recente elemento do site, o meu nome é Ana Dias e sou Terapeuta da Fala. Trabalhei numa unidade de apoio a alunos surdos durante alguns anos, actualmente estou no apoio às escolas. mas o meu email pretende saber se me conseguem facultar alguns artigos que expliquem sucintamente a importancia da aprendizagem da lingua gestual para um individuo surdo. Isto porque tenho uma menina no apoio com surdez bilateral severa e a mãe está um pouquinho relutante em colocá-la numa escola para surdos. Vai ser realizada uma reunião e eu para além da minha experiencia profissional gostaria de levar á senhora algo escrito e fundamentado que ela podesse ler e talvez ficasse mais elucidada. Muito obrigada pela vossa atenção estareio atenta ao site. Abraços
Ana Dias
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Mensagempor Memorex » 03 dez 2008, 14:41

Ana Dias

Para já, bem vinda ao Fórum do Frolas, li o seu texto mas no entanto encontro-me relutante pelo facto de a menina sofrer de Surdez Severa Bilateralmente, eu recomendaria na estimulação da Oralidade, tudo isso porque tem possibilidades tremendas para tirar melhor partido dos resíduos auditivos que padece. E muitas vezes o ensino regular é a melhor opção, se for devidamente acompanhada por uma Unidade.

È apenas a minha opinião.

Abraços
Alicani
Deixo-me conduzir pelo som e ali somos um só, eu e o Sun Melody, senti a ser beijada, o meu corpo era como uma melodia esvoaçante! A soada acarinhava-me a mente, o cérebro e o espírito. Tudo é música.
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Mensagempor frolas » 04 dez 2008, 02:50

Memorex Escreveu:Ana Dias

Para já, bem vinda ao Fórum do Frolas,(...)


Memorex, se me permitires a correcção, o Fórum não é do frolas, é de todos, apenas está alojado num servidor que neste momento tem esse nome. :)

Ana Dias Escreveu:(...)Vai ser realizada uma reunião e eu para além da minha experiência profissional gostaria de levar á senhora algo escrito e fundamentado que ela pudesse ler e talvez ficasse mais elucidada. Muito obrigada pela vossa atenção estarei atenta ao site.(...)

Ana Dias, bem vinda ao fórum :D

:bemvindo:

O que procura é uma questão delicada e de uma enorme importância, não pretendo por de parte a experiência de vida de todos que claro que tem muito valor, mas irei igualmente tentar nos meios possíveis encontrar um feedback da melhor forma possível aqui, através de pessoal qualificado da área.
frolas aka eduardo
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Re: artigos

Mensagempor Ana Dias » 09 dez 2008, 09:01

Olá mais uma vez, quero agradecer a atenção dispensada. Em relação ao caso que vos falei, a minha ideia de aconselhar a ida desta menina para uma unidade prende-se com o facto de no regular a situação não estar a evoluir de uma forma que considero boa. A criança em questão está a frequentar um quarto ano e os conhecimentos adquiridos estão ao nivel de 1º/2º ano. Ela lê um texto muito simples e tem dificuldade em percebe-lo, por exemplo. Realmente ele tem uma oralidade bastante razoável, mas a audição piorou consideravelmente no ultimo ano e o que ela conseguia compreender no contexto de sala de aula começa claramente a não ser suficiente nem nada que se pareça. No próximo ano lectivo ela vai ficar retida no 4º ano e consequentemente mudar de colegas e de professora. Pensei por isso ser o ano ideal para mudanças mais drásticas. Gostava realmente que partilhassem comigo a vossa experiencia de modo a poder dar o melhor aconselhamento possivel a esta situação e poder fazer da vida desta criança o melhor que pudermos fazer. Mais uma vez obrigada e continuação de bom trabalho
Ana Dias
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Re: artigos

Mensagempor Aguarela » 04 jan 2009, 01:48

Olá, boa noite. Conhecemos bem essa situação, pois somos pais de um menino, de 6 anos, que também é surdo severo bilateral.
Logo que a surdez foi diagnosticada, aos 3 anos, essa questão colocou-se-nos: qual seria o melhor local para ele ter a melhor educação possível? Como seria possível ele ter um ensino o mais próximo possível do regular, sem perder ano após ano, sem se atrasar, e ao mesmo tempo sem se sentir excluído, isolado, diferente dos outros? Acabámos por optar por uma escola para surdos -- no caso, o Instituto Jacob Rodrigues Pereira, em Lisboa. Porque aí, e ao contrário do pólo para o qual tínhamos sido encaminhados pelo hospital, ele teria uma educação que respeitava a sua condição de surdo: o ensino da língua gestual como língua mãe, o início de tudo, e a terapia da fala, que lhe permitiria ao mesmo tempo ir desenvolvendo a oralidade.

Três anos depois, só podemos dizer que estamos satisfeitos: ele expressa-se lindamente na língua gestual, no seu ambiente escolar, com os amigos e professores surdos, e evoluiu muito bem na oralidade, através da qual comunica connosco e com os restantes elementos da família. É perfeitamente bilingue, e isso permitiu-lhe entrar, este ano, para o 1.º ano do ensino básico, integrado, na mesma escola, numa turma de ouvintes, onde tem mais um colega surdo profundo implantado. Todo o ensino que teve, entretanto, deu-lhe capacidades para enfrentar da melhor forma este primeiro desafio: está completamente adaptado e a aprender ao mesmo nível dos colegas ouvintes.
O facto de estar integrado numa escola para surdos favorece-o neste contacto com os ouvintes, ajuda-o, ao contrário do que muita gente possa pensar. Desta forma, ele está a crescer normalmente, dentro do seu mundo, não se sente isolado, não é um caso único, ganhou ritmo para andar à mesma velocidade que os outros.
Embora haja pessoas que pensam que um surdo severo deve apenas estimular a oralidade, nós temos aqui um caso exemplar de que a língua gestual pode ajudar no desenvolvimento intelectual da criança e, por consequência, no desenvolvimento da oralidade. Não vale a pena disfarçar: se o nosso filho é surdo, devemos aceitar, assumir isso, e dar-lhe todas as armas para que ele possa ganhar o seu lugar na sociedade. Se o afastarmos do mundo que mais directamente lhe diz respeito, estamos a tirar-lhe trunfos.
Podemos dizer ao fim destes três anos que a lingua gestual não afastou o nosso filho da oralidade, antes pelo contrário, deu-lhe conceitos e entendimento do mundo mais cedo do que as palavras mal entendidas, ficamos espantados com a facilidade com que transita entre os dois mundos a que afinal pertence ;)
Também nós procurámos estudos sobre o bilinguismo e suas implicações na oralidade mas encontrámos muito pouca coisa... falta quem se dedique a investigar e a dar respostas credíveis a esta questão tão sensível.
É importante não ficarmos apenas de um dos lados da barreira do oralismo ou do gestualismo e encontrarmos uma estrada onde possamos caminhar.
Aguarela
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Re: artigos

Mensagempor Ana Dias » 07 jan 2009, 13:43

Desde já o meu muito obrigada pelo vosso interesse e pelo vosso relato, que não só é bastante elucidativo como também vem de encontro àquilo que considero ser a melhor solução para a criança em questão. Como muito bem dizem, a literatura não é muito vasta e aquilo que tenho procurado e lido muitas das vezes não me esclarece. A minha prática clínica diz-me que a aprendizagem da lingua gestual só trás vantagens. Não só proporciona á criança surda uma forma de se expressar usando um meio sem handicaps como também potencia as outras aprendizagens, incluindo a oralidade.
Eu neste caso de que vos falo tenho um árduo caminho pela frente uma vez que a mãe desta criança é tão renitente á sua ida para uma escola de surdos que faz com que ela já tenha 11 anos e nunca tenha tido um acompanhamento especializado. Encontra-se a frequentar o 4º ano e as suas aprendizagens reais estão ao nivel de 1º/2º ano.
Vou iniciar uma tentativa de mudança de mentalidades e gostava de me munir de toda a informação e conhecimentos necessários para poder explicar sem margem para duvidas o que é melhor. Se o conseguir fazer terei de deixar ao critério de quem tem o poder de decisão mas queria dar o melhor possivel a esta situação.
Mais uma vez bem hajam e felicidades para voces e para o vosso filho
Ana Dias
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Re: artigos

Mensagempor Aguarela » 08 jan 2009, 01:54

Olá Ana

Nós só podemos mesmo falar da nossa curta experiência de pais de uma criança surda, por isso não podemos afirmar que o nosso é o único caminho. Aliás, a Memorex é o exemplo de que há outros caminhos possíveis (gostaria que ela pudesse falar sobre ele), acreditamos é que todos eles requerem treino, acompanhamento e muito trabalho com a criança desde terna idade...
Mas essa situação de deixar uma criança sem apoio e orientação conveniente é um crime. E é acima de tudo um crime das instituições envolvidas, que escondendo a falta de apoios crónica deste país sob a capa de uma tal de escola integrada, atiram para cima dos pais a responsabilidade e a culpa futura do insucesso, deixando-os "democraticamente" decidir se os filhos devem ter apoio especializado ou ser "integrados" no canto mais apagado de uma qualquer sala de aulas de crianças ouvintes.
A tão badalada escola inclusiva só faz sentido quando as escolas tiverem a atitude, os conhecimentos e os recursos para poderem incluir alunos com necessidades educativas especiais...

Nem sabe o que nos custa constatar que uma criança que é "apenas" surda (sem outros problemas associados) possa estar a perder capacidades dessa maneira absurda! essa história toca-nos porque muito provavelmente o nosso filho estaria num processo idêntico se o tivéssemos deixado ficar no núcleo para onde foi encaminhado pelo hospital, onde faria a pré no período da manhã numa turma de ouvintes, terapia da fala duas horas por semana e aos 7 anos se não tivesse grande evolução na oralidade teria língua gestual.. e isto se nós quiséssemos!!!

Perguntamos: o que é que nós pais ouvintes, sabemos sobre o que é ser surdo e quais as suas reais necessidades? como é que podemos ser nós a tomar decisões que implicam resultados a longo prazo e que só técnicos experientes podem constatar? porque é que não há estudos credíveis disponíveis?
Também nós temos dúvidas... se a decisão de colocar o nosso filho numa escola especializada foi a melhor... ainda por cima foi uma decisão contra opinião de médicos, audiologistas e terapeutas da fala que nos assistem desde o início e que, pensamos, conhecem mal a escola...
Toda a gente tem opinião sobre a Língua Gestual, positiva ou negativa, especialistas e gente comum, mas nunca nos foi apresentado um estudo sobre o melhor método de ensino para crianças surdas.

http://www.dgidc.min-edu.pt/especial/CDI_observatorio.asp
Aqui encontrámos relatórios do ME que referiam que os surdos seguidos nos polos precisam de uma média de dois anos para fazer um ano... no Instituto a maioria das crianças surdas sem problemas adicionais consegue fazer a escolaridade normal sem grandes atrasos e sem curriculos alternativos... o que nos pareceu ser um claro indício de que as crianças que estudam em escolas normais estão em desvantagem em relação às que estudam em escolas especiais... como aponta o seguinte estudo
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=22758&op=all

Aqui percebemos que um surdo pode ser o que ele quiser, mas é ainda uma utopia... http://www.gallaudet.edu/

Estudos a maioria só em língua estrangeira
http://cultura-sorda.eu/7.html

Ou brasileiros
http://web.letras.up.pt/7clbheporto/trabalhos_finais/eixo1/IA1425.pdf
http://www.eusurdo.ufba.br/arquivos/estudos_surdos_feneis.doc
http://www.editora-arara-azul.com.br/estudos2.pdf

Resumindo: todas as ferramentas que conseguirmos dar ao nosso filho para ser uma pessoa autónoma, independente e integrada são bem vindas por isso vamos ficar sempre atentos. Oralidade damos, lingua gestual damos, se for necessário o implante não está excluído... este é sem dúvida, para nós, um projecto a longo prazo! quem sabe mais tarde falamos?

Espero que ter ajudado, boa sorte para o seu trabalho
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Re: artigos

Mensagempor Airborne 101 » 13 jan 2009, 15:04

É realmente triste por vivermos assim sistematicamente no nosso país. Até tenho vergonha de ser Português. :não:
"Grandfather, you were hero of the war? - Not, but I was belonged of the company of heroes." - Richard Winters / "But we in it shall be remembered-We few, we happy few, we band of brothers"-http://normandy44.blogs.sapo.pt/
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Re: artigos

Mensagempor Ana Dias » 22 jan 2009, 14:26

Boa Tarde mais uma vez

Só quero agradecer a todos pela vossa disponibilidade e pela ajuda prestada. Vou fazer aquilo que me compete enquanto técnico que é o esclarecer e dar o meu parecer falando dos prós e dos contras. Depois das cartas todas na mesa terei que aceitar as decisões de quem as pode tomar e seguir em frente com o meu trabalho fazendo sempre o que considero ser bem feito e o melhor para os meus pacientes. Beijos e abraços para todos e felicidades
Ana Dias
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